#Partiu Agudos - Denúncia aponta que médicos não cumprem horários no PS

Quem depende da saúde pública em Agudos (SP) enfrenta problemas no Pronto-Socorro do único hospital que presta serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). Médicos estariam deixando o trabalho antes do horário, além da falta de estrutura no local. O Ministério Público Estadual (MPE) já tem conhecimento da denúncia e, na Câmara, os vereadores se mobilizam para evitar que a população seja ainda mais prejudicada.

Por mês, a prefeitura repassa R$ 430 mil para Pronto-Socorro, que atende 200 pessoas por dia. A administração do hospital admite que tem problemas com profissionais que não cumprem o horário. São médicos que abandonam os plantões antes da hora sem avisar ou apresentar justificativas. "Você procura o cara, ele pegou o carro e saiu. E isso falta uma hora, uma hora e meia para acabar o plantão dele. Mas fica o outro sozinho aguentando o resto do plantão sozinho. Tem diminuído bastante, mas acontece. Não vou dizer para você que não acontece, porque tem acontecido", esclareceu o provedor do hospital, Sérgio de Abreu Camargo.

Os relatórios de ocorrências da associação do hospital de Agudos já estão com os vereadores. São livros que mostram a rotina do Pronto-Socorro e que apontam supostas irregularidades. “Começa desde a falta de coordenação entre diretoria e corpo clínico, até mesmo a questão dos plantões, médicos que faltam aos plantões, médicos que chegam atrasados e saem mais cedo”, afirmou o assessor legislativo, Haniel Martins da Costa.

Um documento aponta o relatório de uma das funcionárias do hospital. Ela afirma que por ordem do gerente, uma ambulância saiu sem a equipe médica para prestar socorro a um paciente que necessitava de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela descreve ainda que a ambulância não tinha respirador.

Na Câmara, os vereadores deverão convocar uma audiência pública. "Para esclarecer a população e aos associados do hospital, uma vez que estas pessoas não estão interessadas em resolver o problema. Então, que elas deixem os cargos que são importantíssimos e coloquem pessoas que realmente se dedicam, se dediquem a cuidar da saúde das pessoas de agudos", informou o presidente Auro Octaviani.

A costureira Rita de Cássia sabe bem as consequências da falta de cuidado médico. A sogra dela, de 86 anos, morreu no hospital depois de cair da maca na sala de emergência. Segundo a família, o hospital proibiu que a idosa ficasse com um acompanhante e não havia nenhum funcionário na sala na hora do acidente. Um boletim de ocorrência foi registrado na polícia e o caso também é apurado pelo Ministério Público.

"A gente quer Justiça para que não venha a acontecer com outros que vão entrar ou que já estão lá dentro. Porque a vida dela não volta mais, mas nós como seres humanos, quem tem amor à vida, a gente está fazendo isso para que não venha mais acontecer”, disse Rita.


O provedor da associação do hospital de Agudos confirmou que a sogra de Rita caiu da maca ao tentar se levantar sozinha. Disse ainda que não havia ninguém na sala, mas enfermeiros que estavam no corredor do hospital socorreram a idosa assim que ouviram o barulho.

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