#Partiu Buraco Negro - Estudo sugere que a origem do universo pode estar em um buraco negro 4D
Questionando uma das teorias científicas mais famosas,
cosmologistas da Universidade de Waterloo, no Canadá, acabam de apresentar uma
nova explicação para o surgimento do universo. Eles acreditam que o universo
teria se formado a partir dos detritos de uma estrela de quatro dimensões que
sofreu um colapso e se transformou em um buraco negro – o que explicaria por
que o cosmos se apresenta de maneira bastante uniforme em todas as direções.
De acordo com a notícia da revista Nature, o Big Bang – que
é a teoria mais aceita até o momento – assume que o universo surgiu da explosão
de uma matéria densa. Mas o que ninguém sabe explicar é o que teria dado início
a essa explosão – as conhecidas leis da Física não dão conta de nos dizer o que
teria acontecido naquele momento.
Outro indício sustentado pelos cientistas é que ainda não se
encontrou uma maneira de explicar como uma explosão violenta como o Big Bang
teria resultado em um universo cuja temperatura é praticamente uniforme. Eles
alegam que não parece ter havido tempo suficiente desde o nascimento do cosmos
para que ele alcançasse equilíbrio na sua temperatura.
Para a maior parte dos cosmologistas, a explicação mais
plausível para essa uniformidade seria que, logo após o início do tempo, alguma
forma desconhecida de energia fez com que o universo inflasse mais rapidamente
do que a velocidade da luz. Assim, a pequena estrutura com uma temperatura
razoavelmente uniforme teria aumentado de tamanho até se transformar no
universo como conhecemos hoje.
“O Big Bang foi tão caótico que não fica claro se havia uma
pequena estrutura que viria a inflar para que possamos começar a trabalhar”,
explica Niayesh Afshordi, astrofísico do Perimeter Institute for Theoretical
Physics, na instituição canadense.
Uma nova explicação
No estudo divulgado na semana passada, Afshordi e sua equipe
se basearam na proposta apresentada em 2000 pelo grupo que incluía Gia Dvali,
físico atuante na Ludwig Maximilians University, em Munique, na Alemanha. No
modelo apresentado, o universo tridimensional é uma membrana – ou uma p-brana –
que flutua em um universo maior, que conta com quatro dimensões espaciais.
A equipe de Afshordi notou que, se o universo maior contém
estrelas de quatro dimensões (4D), algumas delas podem sofrer colapsos e
desenvolver buracos negros 4D da mesma maneira que acontece com as estrelas
massivas: elas explodem como supernovas e ejetam violentamente suas camadas
exteriores, enquanto as camadas internas se transformam em buracos negros.
No nosso universo, um buraco negro é limitado por uma
superfície esférica chamada de horizonte de eventos. Enquanto em um espaço
tridimensional comum é necessário um objeto bidimensional (superfície) para
criar uma fronteira dentro de um buraco negro, no universo maior o horizonte de
eventos de um buraco negro 4D precisa ser um objeto 3D – também chamado de
hiperesfera. Quando o cosmologista e sua equipe simularam a morte de uma
estrela 4D, eles descobriram que a matéria ejetada forma uma p-brana
tridimensional ao redor do horizonte de eventos também tridimensional, além de
se expandir lentamente.
Os autores do estudo defendem que o universo tridimensional
em que vivemos é apenas uma p-brana e o que notamos com o crescimento é apenas
uma expansão cósmica. “Os astrônomos mediram essa expansão e assumiram que o
universo deve ter começado com o Big Bang – mas isso é apenas uma miragem”, afirma
Afshordi.
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